terça-feira, 11 de janeiro de 2011

26 - O OBSERVATÓRIO ASTRONÓMICO DA PENHA

Depois dos bons indicadores que, vindos do oeste, chegam à cidade, entramos a pés juntos no ano de dois mil e onze com mais uma proposição digna desse nome. Crer para ver, carregar para ampliar. Caros concidadãos, inscrevendo-se afirmativamente na paisagem vimaranense, aparecendo como marca identitária da cidade, da ciência e do progresso, eis o observatório astronómico espacial cosmogónico Demóstenes Monteiro: da Penha de Guimarães para o universo inteirinho.

Observatório cosmogónico-astronómico-espacial Coronel Demóstenes Monteiro. Carregar para ampliar.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

25 - O METRO DE GUIMARÃES

O título da proposta desta semana é enganador. Não se trata de propor o Metro de Guimarães mas sim de apresentar uma proposta de rede de Metro em Guimarães. Isto porque se pressupõe que o Metro de Guimarães será uma realidade, restando apenas saber o quando e o como. Quanto ao quando, quando for, será. Quanto ao como, assenta em três linhas base, expansíveis para os núcleos populacionais periféricos. Prevê a possibilidade de quarta linha circular, de superfície, tipo anel de Saturno, com crescimento a nascente. Assegura-se a ligação à central de camionagem e à estação de comboios com aquelas passadeiras rolantes intermináveis. As três linhas têm dois pontos de contacto entre si: as portas giratórias no Estádio e na Universidade. A do Estádio será a única estação subterrânea de metro no mundo que tem um rio entubado a correr junto à linha, assegurando uma beleza de vistas apenas comparável ao Metro de Moscovo.
Já se imagina a voz feminina seca, mecânica, com a nuance do sotaque a ser considerada (sim, porque dizer os nomes das paragens com sotaque é um manifesto): Bila Flor, interfáce multimodale, correspundência Estaçoum CP. Alto da Baundeira, estaçoum terminal. Que classe, que espectáculo.
A proposta foi debatida e sedimentada numa pastelaria do centro da cidade, em vinte minutos, por Alcides Pacheco e Carlos Maria Brandão, após seis meses de estudos sociológicos, viários, de solos e de comportamento animal. O desenho da linha e o estudo de pormenor foram encomendados a Enfático Costa, de Ronfe, que, segundo sms que nos enviou, se inspirou na teoria das constelações, em que as estações são estrelas e, unidas, desenham nem mais nem menos que o inspirador e vimaranense Afonso Henriques, na maior homenagem espacial que o monarca já teve. Carregar no desenho para ampliar, boas festas, boas festas, cá nos vemos em Janeiro.


A planta do metro de Guimarães. Carregar para ampliar e constatar o assombro deste projecto tripante.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

24 - O GUIMARÃES FOOTBALLERS - SIT VIS VOBISCUM

É certo e bem sabido que a concorrência é saudável. E que os monopólios são bem piores que os duopólios. É certo e sabido também que cidade que se preze e à grandeza aspira tem, pelo menos, uma grande e saudável intra-rivalidade: academia contra comércio (a mítica town vs gown de Cambridge), padralhada versus pecadores (os míticos ppp's de Braga), interistas versus milanistas (o mítico derby della madoninna), riveristas versus bocas (o mítico superclássico de Buenos Aires), bairro sul versus bairro norte (nas danças do S. Pedrinho da Póvoa), gunas ribeireiros versus betos fozeiros (no Porto) e por aí fora.

Chegados a Guimarães, ofegantes e a transpirar grandeza e megalomania, fácil é verificar que estamos unidos em grande parte das coisas. Ora, este unanimismo nem sempre é positivo. Assim sendo, a pergunta impõe-se: o que podemos dividir para reinar? E a resposta surge óbvia, como a estátua de Afonso Henriques ao subir o Carmo: o futebol. O futebol?, perguntará o leitor ávido de esclarecimento. Sim, responderei com a calma que me carateriza nestes momentos difíceis: porque o futebol, citando um antigo treinador do Vitória, é a coisa mais importante das coisas menos importantes das nossas vidas. E nós, evidentemente, não queremos cisões em coisas com importância, como por exemplo acabar com as Guaterianas ou invadir o Concelho de Fafe. A cidade precisa, sim, de um clube rival para o Vitória. E o próprio Vitória, até mais que a cidade, precisa de um clube rival que o engrandeça. Um pouco tese-antítese-síntese, para me armar em Hegeliano de bancada.

E que clube seria esse?, perguntará o leitor já com um certo nervoso miudinho. Não poderá ser um clube qualquer, uma criação ex novo. Terá que ter um passado em branco, capaz de receber a inscrição de uma história de glória adiada e de um sem número de tradições capazes de granjear o público mais velho que em Guimarães não apoie o Vitória - raridade - e o público mais novo que hoje - raridade - ainda não apoia o Vitória. Para tal, nada melhor que pegar no obscuro Guimarães Footballers, fundado nos idos de 1931 no Liceu Nacional de Guimarães especificamente para participar no interturmas desse ano e que, vencido este, disputou um jogo com a turma do antigo quinto ano de Mecanotecnia da Escola Industrial tendo perdido por 6-1. O GMRF começaria logo a distinguir-se por ser o único clube que tem Guimarães na denominação, o que lhe daria um considerável impulso de implementação. Zás.

Nesta altura, estará o leitor mais fervoroso a afiar uma faca-Rambo comprada na Marchaves e a dirigir-se para a minha residência, para me explicar um sem número de coisas. Corro o risco de pé, é certo, ciente que esta seria, sem dúvida, uma grande solução para a cidade: as discussões seriam ainda mais acaloradas, as famílias dividir-se-iam tipo do género Capuletos e Montéquios, a rivalidade com o Braga seria ignorada, com o putativo isolamento e eventual extinção, por secagem, do Sporting dos Arcebispos e, no meio deste delírio, o Vitória e a cidade de Guimarães emergeriam mais citius, mais altius e mais fortius. Abaixo se apresenta o emblema do GMRF, redesenhado a partir do original por Carlos Maria Brandão. As cores são o verde e o branco não por serem assim no emblema original ou por se pretender uma ligação às cores oficiais da cidade, mas porque o arquitecto só tinha canetas dessa cor e a folha era branca. Allez GMRF allez (nunca percebi o porquê do francês nos cânticos da bola, mas isso é outra história).


Emblema do Guimarães Footballers - 1931 - Sit Vis Vobiscum.
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

[curto intermézio] [editado, desculpado]

Avisam-se os leitores deste hebdomadário que o texto previsto para a edição destas segundas-feiras será dado à estampa binária na próxima segunda feira, dia 13 de Dezembro. Pelo transtorno, facilmente anulado com rojões e toque de caixa pinheirista e demais sevícias nicolinas, sentidamente se desculpam os autores deste blog Carlos Maria Brandão, Demóstenes Monteiro e Alcides Pacheco.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

23 - OPERAÇÃO PADRÃO

O Oh, Guimarães continua na senda das grandes soluções económicas para o desenvolvimento e fortalecimento da sua amada pólis. Para chegarmos à proposta que vamos propor daqui a um parágrafo, partimos de duas premissas: uma, que nos diz que nada se deve interpor entre a iniciativa, o entrepeneurismo e o progresso barra bem-estar civilizacional; outra, que algo está a obstaculizar o crescimento da iniciativa privada no Centro Histórico da cidade. Não, não falamos da rigidez regulamentar camarária. Nem do ambiente guno-rural da movida vimaranense. Falamos, claramente, do Padrão do Salado, obra prima do gótico português mas que, convenhamos, dá cabo das esplanadas da Praça da Oliveira, incomodando o seu natural e desejado crescimento. E as esplanadas, como sabemos, são a alma da Praça. Sem elas, aquilo era só drogados.
Assim, e juntando premissa um e dois, o Oh Guimarães propõe a revolucionária OPERAÇÃO PADRÃO: a mudança estratégica do Padrão do Salado para o desemboque da Rua de Santa Maria na Praça da Oliveira, ali entre a Pousada e a Igreja. Esta operação só traz vantagens para o próprio Padrão, para a Praça onde se encontra e, em último caso, para a micro-economia vimaranense. Vejamos:
a) com o realojamento do Padrão do Salado no cantinho da Praça da Oliveira, a Praça fica muito mais predisposta a ser metodicamente preenchida por esplanadas. Afinal, toda a gente sabe que é o empreendedorismo da restauração que mantem a Oliveira viva.
b) Com a nova reorganização esplanadar da Oliveira, mais pessoas a ela acorrerão, podendo desfrutar da unicidade das suas vistas e da sua beleza. Ainda por cima, podem ver o milagre que se fez ao próprio Padrão.
c) Ao realojar-se o Padrão do Salado naquele cantinho, é o próprio Padrão que deixa de servir de mesa de esplanada, ficando muito mais resguardado ou, quiçá, adstrito à esplanada da Pousada, que é mais calminha que as outras.
Como é fácil de se ver, a Operação Padrão apenas traz vantagens. Encontre o leitor um inconveniente que seja e elenque-o na caixa de comentários. É impossível.
Abaixo se apresenta uma renderização do antes e do depois da execução do pré-ante-projecto de realojamento do padrão, brilhantemente maquetada pelo Arquitecto Carlos Maria Brandão.

A Praça da Oliveira nos tempos que correm. Na imagem é visível que o Padrão do Salado é um empecilho à harmoniosa disseminação esplanadar.
(carregar para ampliar)


A Praça da Oliveira depois da Operação Padrão. Impecável: o Padrão continua lá e as esplanadas florescem como deve ser.
(carregar para ampliar)

* imagens recolhidas de ortofotomapa acessível aqui.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

22 - O BCdG


Preclaríssimos leitores: sabeis vós que os tempos estão difíceis. Sabeis vós também que, no meio de tanta dificuldade, apenas a banca vai sendo ajudada pela generosidade do Estado, pela caridade da União, pela taxa de juro do Banco Central Europeu. Qual elefante irritado a bater com a pata no chão, chegou a hora de Guimarães se libertar definitivamente das amarras económicas do país e da euro-região. É para isso que apresentamos o BANCO CENTRAL DE GUIMARÃES, uma instituição credível, segura e infalível, capaz de gerar imensa riqueza nesta zona. Um banco criado e controlado por vimaranenses, aberto ao mundo inteiro, com especial vocação para delegar-se em micro-estados, por regra ilhas, com regimes fiscais e águas marítimas muito apetecíveis. Um banco que sabe que, mesmo correndo riscos elevadíssimos, terá sempre a mão amiga de alguém para o amparar. Uma instituição que trará emoção, estilo e mulheres e homens esbeltos à cidade, bem como cartões de crédito a granel. Que apoiará as artes, a cultura e o sport, comme il faut. Que terá uma Fundação para ajudar os desfavorecidos, pois então.
Nesta altura, perguntará o leitor porque raio é que, estando o banco para se fundar daqui a um ano, no belíssimo logo desenhado pelo Prof. Arqº Carlos Maria Brandão aparece a referência a desde 1798, indiciando que o BCDG começou a funcionar em tal data. A resposta é simples: em primeiro lugar, não indicia nada disso. O leitor é livre de concluir o que quiser. Olhe, para mim aquilo até faz parte do nome completo do Banco: Banco Central "de Guimarães desde 1798", defendo-me eu ao abrigo da minha liberdade, tornando a posição do banco inatacável do ponto de vista do relativismo. Ainda que o leitor conclua o contrário - lá está, é livre, pode concluir o que quiser-, e dentro de uma certa ideia de coerência do sector bancário, uma inverdadezinha destas não faz mal a ninguém e traz imensas vantagens, como por exemplo uma parceria com a mítica Banca dei Monte Paschi de Siena (oh, tão só o banco mais antigo do mundo) e a entrada para o top vinte dos bancos mais antigos do planeta. Ora, segundo nos disse um primo do Prof. Arqº Carlos Maria Brandão que está a estudar marketing numa universidade privada em Felgueiras, esta estratégia de puro marketing atrai inúmeros clientes. Para além disso, explicou-nos também que podemos defender-nos com o argumento que o banco esteve a funcionar num espigueiro em Atães durante estes anos todos, tipo sociedade secreta.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

21 - UM BANKSYZINHO NO MONTE LATITO

Há uns dias, Alcides Pacheco, Carlos Maria Brandão e Demóstenes Monteiro foram dar um passeio ao Monte Latito. Ao chegarem à Capela de S. Miguel, terão visto um Banksy na fachada lateral da dita. Centenas de pessoas acotovelavam-se para ver esta belíssima obra de arte pública. Professores explicavam aos alunos a magia da metáfora daquela criação, ali mesmo no sítio certo. A fotografia é falsa? Definam-nos falsidade e nós damo-vos uma torta de Guimarães. Esta foto foi tirada em 2013? Se calhar foi. Um Banksy em Guimarães? Isso é que era bom.

Banksy em S. Miguel do Castelo: ora cliquem lá na imagem se não querem ter que ir lá acima ver pelos vossos próprios olhos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

20 - UM SKYLINE PARA CREIXOMIL

Oh, Guimarães, eu tive uma visão. Uma visão metropólica. Uma visão em que tu, ò mais prodigiosa cidade do cosmos, eras dona e senhora de uma nova muralha: uma muralha de betão, aço e vidro erguida aos céus ali na zona do Multiusos. Oh, Guimarães, eu vejo-te assim em cinco anos: com um puto dum skyline de fazer inveja à Manhatã. Palavras para quê?

Skyline de Creixomil: opulência urbana e megalomania sem limites ao virar da esquina.
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

19 - O AUIG

A linha de partida será no actual sentido descendente da Av. De S. Gonçalo. A curva em U antes da recta da meta chamar-se-á curva da morte, criando-se o mito urbano que nela pereceu o primeiro piloto que a tentou fazer, um tipo de São Clemente de Sande. O Triângulo Comercial é arrasado para abrir a curva para a Alameda Alfredo Pimenta. Faz-se um favor ao urbanismo e reinstala-se o comércio distribuindo-o pela estrutura do paddock, ali ao Inatel, e pela bancada Pingo Doce, em frente ao dito. É feito um alargamento no pescoço de garrafa da Alameda Mariano Felgueiras, para que se cumpra a distância de segurança entre os dois sentidos da corrida.

Mónaco, Europa, Phoenix, Arizona, EUA, Adelaide, Austrália e oh, Guimarães, Minho, Portugal. Aparentemente, cidades sem pontos comuns. Em cinco anos, cidades geminadas, protocolos de intercâmbio e cooperação e isso tudo. Porquê? Por causa do AUIG: Autódromo Urbano Internacional de Guimarães que a partir de 2015 deverá acolher o regresso da F1 a Portugal. Palavras para quê? Um renderzinho vale mais que uns centos delas.




AUIG - Autódromo Internacional Urbano de Guimarães: idealizado por Alcides Pacheco e Demóstenes Monteiro, projectado e desenhado por Carlos Maria Brandão. Potente. Já estou a ver isto acontecer entre a S. Gonçalo e a Alameda. É clicar para ampliar.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

18 - PLAQUINHAS NAS FACHADAS

Uma das formas mais protopoéticas de atrair visibilidade para uma cidade é, como todos sabemos, a colocação daquelas plaquinhas que dizem que fulano ou sicrano pernoitou, viveu, bebeu um copo ou utilizou o wc de determinado edifício. Se há coisa que falta a Guimarães, como o sabemos também, é a protopoética propriamente dita. E se falta, que se a crie, ora pois. A ideia é simples e pode gerar um roteiro bem feito. Em estrita parceria com o mítico comércio local – seguindo o princípio leva quem paga – colocar-se-iam, em pontos estratégicos da cidade, placas assinalando a presença de figuras públicas, demasiado públicas, na cidade de Guimarães. Depois era só fazer o roteiro, um livrinho com as biografias e uma ou outra parceria com os restaurantes ou cafés nas cercanias das ditas placas. A gravação e serralharia das placas será assegurada pelo Carlos Alcino, de Souto, com quem já se assinou um protocolo de cooperação. Aqui ficam alguns exemplos:

Nesta casa pernoitou, entre 15 e 22 de Janeiro de 1947, Winston Leonard Spencer-Churchill.

Aqui viveu, entre Setembro e Dezembro de 1777, Wolfgang Amadeus Mozart.
(Esta era porreira por no Toural de cima.)

Em Fevereiro de 1776, a caminho da sua embaixada em França, o Norte Americano Benjamin Franklin, hospedou-se nesta casa, fazendo duas sessões de apresentação do seu pára-raios.

Neste Café esteve sentado, a 12 de Outubro de 1954, André Bazin.

ou

Nesta cervejaria jantou, em 2009, The Legendary Tiger Man.

E este grand finale taipense:

Nestas termas foi a banhos Lord Byron. Aqui se diz ter inventado a expressão “Glorious Eden”, que mais tarde aplicaria à vila de Sintra.

Fixolas, não?